Dilema





dilema |ê| 

s. m.
1. Alternativa em que não há opção satisfatória.

2. Conjuntura difícil (sem saída conveniente).
3. Argumento formado por duas proposições que se contradizem mutuamente.


in: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=dilema

(Imagem: João Pedro Fonte)

Variações em #F b

 Preludio
(Imagens: Vicente Nequinha, Montagem: João Pedro Fonte)

Bragança fria com natas.


Corredor do primeiro andar depois da aula de estruturas esta segunda feira.


Direita


Esquerda, com o reflexo da direita.



Vamos simplificar as coisas. Pronto. Já está.

















Um pouco mais...










O amanhã de ontem é hoje.

Estamos num tempo presente, com a lembrança de um passado e com um futuro que é, essencialmente, desconhecido. Não poderemos falar de um destes tempos sem falar essencialmente dos três.
Porém, tendo em conta a matéria-prima com a qual trabalhamos, a sociedade e a arquitectura, parece-nos mais susceptível de interesse desenvolver, não a opinião mais directa de “como o passado influenciou o presente” mas sim de “como o futuro prepondera o tempo actual”. É verdade que o tempo não é pontual. Todos os fenómenos históricos são o resultado de um passado recente ou distante que culmina numa determinada acção que se pode desenvolver num determinado espaço de tempo, curto ou longo. Será o futuro um elemento a considerar nas acções pretéritas? Antes de mais cabe-nos esclarecer que, falando de futuro falamos de práticas conceptuais, estando a sua influência à partida, limitada.


Para compreender este fenómeno vamos recorrer a uma das formas capazes de ilustrar o futuro: imagens. Numa visita a um conhecido sitio na internet, o Obvious(1), tivemos oportunidade de reparar num artigo intitulado, “Futuro do pretérito”(2), que mostrava postais de 1900 com ilustrações sobre como seria o ano 2000. Pegando em duas dessas imagens tentaremos compreender alguns conceitos inerentes à construção do futuro. 






Em 1900 encontramos uma sociedade muito marcada pela inovação tecnológica. O mundo tinha começado a conhecer o universo através do trabalho do astrónomo alemão Max Wolf. Em Junho deste ano foi fundada a Fundação Nobel, e, no mundo dos gadgets, surgiu a primeira máquina fotográfica portátil Kodak. A Exposição Universal de Paris abria novos horizontes ao nível da construção arquitectónica e social. Uma época marcada pela inspiração e motivação que cria ambientes perfeitos para reflexões sobre o futuro, perfeitamente igualável à sociedade contemporânea*. Não é em vão que nestes postais se desenha o futuro com elementos arquitectónicos.


É notável uma clara necessidade de mobilidade e rapidez. Não está aqui inerente uma ideia de forma, mas sim de função. É clara a despreocupação que a movimentação de um edifício de quatro andares comporta para o desenho da paisagem e da cidade (figura1), ou por outro lado, o preenchimento dos céus com elementos de mobilidade voadores (figura 2). As necessidades resolvem-se a partir da experiência do utilizador.


Também os ARCHIGRAM, reintrepretam estes desejos através das suas Walking City (figura 3) e Instant City (figura 4), onde as utopias de 1900 são redesenhadas com os apetites deste tempo. 





De facto a ideia de mobilidade parece-nos uma das mais marcantes nas duas épocas, sendo um motor importante para a construção arquitectónica e, consequentemente, da vida em sociedade. Cada vez mais se necessita de chegar mais longe mais depressa. Isto poderá ser uma acção positiva se esta poupança de tempo se aplicasse em actividades socialmente construtivas.

Ainda presente, podemos referir, aliado a este sonho de mobilidade, o desejo de flexibilidade espacial. Desta forma, ao movermos os edifícios, e consequentemente, as cidades, podemos dotar um mesmo espaço de diferentes tipos de uso consoante o tempo.

Hoje em dia, encontramos vários exemplos de reflexões destas utopias. Rem Koolhaas, por exemplo, com o Prada Transformer** (figura 5), um pavilhão temporário onde cada um dos quatro lados da estrutura, pousando cada um de sua vez no chão, fornecem diferentes tipos de espaços para diferentes tipos de uso, aponta uma potencialidade extrema para a flexibilidade de espaços. 

Desta forma, e voltando ao inicio, parece-nos que a nossa ideia de futuro condiciona o trabalho presente, na medida em que é realmente capaz de sintetizar as necessidades mais urgentes e de lhes dar forma, apresentadas nestas utopias. Parece-nos que será este o zeitgeist actual, não só o olhar para o passado, que inevitavelmente tem um peso nas acções do presente tendo em conta que lhe serve de base, mas também olhar para o futuro que idealizamos. Desta forma, o olhar atento para as utopias, e a construção das mesmas permite-nos, actualmente, focar o que é realmente imprescindível para uma construção social e arquitectónica verdadeira.



Referências Bibliográficas:
(1) - Sitio: Obvios - um olhar mais demorado (http://obviousmag.org/)
(2) - “FUTURO DO PRETÉRITO OU OS ANOS 2000 IMAGINADOS EM 1900” por Jéssica Parizzoto (http://obviousmag.org/archives/2011/10/futuro_do_preterito_ou_os_anos_2000_imaginados_em_1900.html) Incluidas figuras 1 e 2.
Figuras 3 e 4: ACHIGRAM http://www.archigram.net/index.html
Figura 5: ARQA no 77 - Produções efémeras, Janeiro/Fevereiro 2010
1900 na ciência: http://pt.wikipedia.org/wiki/1900_na_ciência

Notas:
(*)-
Sobre a contemporaneidade: Pedro Cabrita Reis em MESA TALKs 2011: “Sou um artista contemporâneo porque estou vivo no presente em que trabalho, mas gostaria de ser recordado como artista clássico”. Também aqui consideramos “contemporâneo” o momento presente, e não qualquer outro tipo de estilo artístico.
(**) - Prada Transformer - AMO.OMA pavilhão temporário construído em Seul no ano de 2008. 



Trabalho realizado no âmbito da disciplina de TEORIA DA ARQUITECTURA 3 (3ºano do MIARQ)
Escola de Arquitectura da Universidade do Minho 
Docente: Arq. Eduardo Fernandes
Texto nº 2
Tema: ZEITGEIST

Tão pouco do que pode acontecer acontece...



Tanto potencial concentrado em meia dúzia de ferros no contexto adequado.

Imagens - João Pedro Fonte

"Blood type"






I believe humans get a lot done, not because we're smart, but because we have thumbs so we can make coffee.  - Flash Rosenberg

Imagens - João Pedro Fonte

Lado Positivo

Imagem - João Pedro Fonte

Apreensões Indirectas (2)



Acredito hoje que as coisas são o que são do jeito que as pessoas as vêem. Por isso uma coisa não se encerra em si, mas assenta num leque de interpretações que a definem.
Acredito hoje que as coisas nunca revelarão a sua essência. Daí andar-mos todos a contar histórias sobre como as coisas são, sem nunca o saber. Daí sermos todos vitimas de interpretações e nunca da pura verdade. 
Acredito hoje que amanha morrerei a saber nada.

Imagem - João Pedro Fonte

Bragança quente com natas. Cremoso.

New is good. Because old ended in death.

Imagem - João Pedro Fonte

Agora põe-te a pensar. Parte 5

Fascina-me a outra dimensão que tem os reflexos. Afinal de contas não estamos a fotografar um objecto, mas um plano que resume outros. Quer dizer.
Imagem - João Pedro Fonte

O nada que chega a ser tudo.



Imagens - João Pedro Fonte

A porta que segura a casa

Imagem - João Pedro Fonte
Terá o homem capacidade de especular sobre as estrelas quando apenas alcança o céu?

Diálogo

Tearto da Cerca de São Bernardo (Arq. Mendes Ribeiro) + Construção s/ nome (autor desconhecido)
Coimbra, no cimo de uma rua que custa a subir, sorte para os que descem.
Imagem - João Pedro Fonte

Romeu e Julieta

 A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe.







Julieta — Já vai embora? Mas se não está nem perto de amanhecer! Foi o rouxinol, não a cotovia, que penetrou o canal receoso de teu ouvido. Toda a noite ele canta lá na romãzeira. Acredita-me, amor, foi o rouxinol.

Romeu — Foi a cotovia, arauto da manhã, e não o rouxinol. Olha, amor, as riscas invejosas que tecem um rendado nas nuvens que vão partindo lá para os lados do nascente. As velas noturnas consumiram-se, e o dia, bem-disposto, põe-se nas pontas dos pés sobre os cimos nevoentos dos morros. Devo partir e viver, ou fico para morrer.

Julieta — Essa luz não é a luz do dia, eu sei que não é, eu sei. É só algum meteoro que se desprendeu do sol, enviado para esta noite portador de tocha a teu dispor, e iluminar-te em teu caminho para Mântua. Portanto, fica ainda, não... precisas partir.

William Shakespeare
Romeu e Julieta (Cena V)



Imagens - João Pedro Fonte